De acordo com Darcy Ribeiro em seu livro O Povo Brasileiro, o cultura sertaneja tem como principal marca a “sua especialização ao pastoreio, por sua dispersão espacial e por traços característicos identificáveis no modo de vida, na organização da família, na estruturação do poder, na vestimenta típica, nos folguedos estacionais, na dieta, na culinária, na visão de mundo e numa religiosidade propensa ao messianismo”.
“Apesar das enormes distâncias entre os núcleos humanos desses currais dispersos pelo sertão deserto, certas formas de sociabilidade se foram desenvolvendo entre os moradores dos currais da mesma ribeira. A necessidade de recuperar e apartar o gado alçado nos campos ensejava formas de cooperação como as vaquejadas, que se tornaram prélios de habilidade entre os vaqueiros, acabando, às vezes, por transformar‐se em festas regionais. O culto dos santos padroeiros e as festividades do calendário religioso ‐ centralizado nas capelas com os respectivos cemitérios, dispersos pelo sertão, cada qual com seu círculo de devotos representados por todos os moradores das terras circundantes ‐ proporcionavam ocasiões regulares de convívio entre as famílias de vaqueiros de que resultavam festas, bailes e casamentos. Afora essa convivência vicinal e que se circunscrevia aos vaqueiros da mesma área, o que prevalecia era o isolamento dos núcleos sertanejos, cada qual estruturado em autarquias e voltado sobre si mesmo, na imensidade dos sertões”.
Ou seja, – como é dito na primeira menção – o que move a cultura sertaneja é justamente a movimentação feita em torno do gado. Digo isso também levando em conta a minha própria experiência, na qual tive o privilégio de ver de perto as manifestações culturais de tal cultura. Onde a mais marcante foi uma no interior de Minas Gerais, lá tive a oportunidade de presenciar uma das festividades do calendário religioso, que é a Folia de Reis.
Lá pude presenciar , além de uma recepção ímpar da população, a culinária tipicamente sertaneja, e neste caso também experimentar. Presenciei também a tão aclamada moda de viola na forma mais “raiz” possível.