A Dança e sua importância na formação da cultura

Em citação de um livor do do autor José Alberto de Teixeira conceituando o folclore é dito:
Sempre que se cante a uma criança uma cantiga de ninar; sempre que use uma canção, uma adivinha, uma parlenda, uma rima de contar, no quarto das crianças ou na escola; sempre que ditos, provérbios, fábulas, histórias bobas e contos populares sejam reapresentados; sempre que, por hábito ou inclinação, agente se entregue a cantos e danças, a jogos antigos, a folguetos, para marcar a passagem do ano e as festividades usuais; sempre que uma mãe ensina a filha a costurar, tricotar, fiar, tecer, bordar, fazer uma coberta, trançar um cinto, assar uma torta à moda antiga;

Assim é importante destacar que esta dança é muito comum entre diversas regiões, por isso, ela veio trazer uma grande influência em meio dentre os povos portugueses e africanos que trouxeram para conservarem suas tradições, e assim ela foi desenvolvida e adaptada conforme foi se espalhando entre outros povos brasileiros e miscigenados. Suas origens são de igreja católica, como hoje também realizada em folia de Santos Reis ou do Divino Espírito Santo, por isso leva para todos os povos cultuadores da catira ou cateretê uma forte influência àqueles que carregam consigo as verdadeiras raízes.

ORIGEM DA DANÇA

Cateretê ou Catira como é conhecida em grade parte do país. A dança vem trazer com seus passos feitos em grupo e afetivos traços originados da cultura indígena, africana e europeia mostrar uma cultura nascida através de tropeiros que realizavam a dança em seus horários de descaço durante o período colonial e que se perdurou como uma cultura vista e pratica até hoje por diversos povos e regiões. Assim, começou suas origens e a prática da dança como manifestação cultural dos povos.

Hoje podemos ver essa dança em quase todos as regiões do Brasil, com destaque para o sudeste e o centro-oeste.

Embora seja mais representativa na região sudeste, ela foi aos poucos se espalhando e ganhando adeptos em outros locais.

Perpetuação da Cultura Musical

A música é um elemento que une e alastra por todo mundo, principalmente nos dias atuais, culturas. Os primeiros nomes que encontraram o sucesso no começo da música sertaneja foram Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, Cornélio Pires e Alvarenga & Ranchinho. O Sertanejo de Raiz eram baseadas na viola caipira, gaita e instrumentos de cada região, que eram confeccionados artesanalmente. As músicas contavam a história do homem do interior, através de narrativas reais ou fantasiosas em que muitas vezes os próprios autores cantavam suas músicas. Muitas dessas músicas surgiram a partir dos causos que eram contados.

Hoje, levando em conta essa facilidade de trocas culturais, surgiram diversas vertentes do sertanejo. No entanto, a alguns cantores solo, ou dupla, que mantiveram-se próximas daquele modelo de produção musical, como: Mayck e Lyan; Bruna Viola; João Carreiro; Jads e Jadson entre muitos outros.

Formação cultural do sertanejo

De acordo com Darcy Ribeiro em seu livro O Povo Brasileiro, o cultura sertaneja tem como principal marca a “sua especialização ao pastoreio, por sua dispersão espacial e por traços característicos identificáveis no modo de vida, na organização da família, na estruturação do poder, na vestimenta típica, nos folguedos estacionais, na dieta, na culinária, na visão de mundo e numa religiosidade propensa ao messianismo”.

“Apesar das enormes distâncias entre os núcleos humanos desses currais dispersos pelo sertão deserto, certas formas de sociabilidade se foram desenvolvendo entre os moradores dos currais da mesma ribeira. A necessidade de recuperar e apartar o gado alçado nos campos ensejava formas de cooperação como as vaquejadas, que se tornaram prélios de habilidade entre os vaqueiros, acabando, às vezes, por transformar‐se em festas regionais. O culto dos santos padroeiros e as festividades do calendário religioso ‐ centralizado nas capelas com os respectivos cemitérios, dispersos pelo sertão, cada qual com seu círculo de devotos representados por todos os moradores das terras circundantes ‐ proporcionavam ocasiões regulares de convívio entre as famílias de vaqueiros de que resultavam festas, bailes e casamentos. Afora essa convivência vicinal e que se circunscrevia aos vaqueiros da mesma área, o que prevalecia era o isolamento dos núcleos sertanejos, cada qual estruturado em autarquias e voltado sobre si mesmo, na imensidade dos sertões”.

Ou seja, – como é dito na primeira menção – o que move a cultura sertaneja é justamente a movimentação feita em torno do gado. Digo isso também levando em conta a minha própria experiência, na qual tive o privilégio de ver de perto as manifestações culturais de tal cultura. Onde a mais marcante foi uma no interior de Minas Gerais, lá tive a oportunidade de presenciar uma das festividades do calendário religioso, que é a Folia de Reis.

Lá pude presenciar , além de uma recepção ímpar da população, a culinária tipicamente sertaneja, e neste caso também experimentar. Presenciei também a tão aclamada moda de viola na forma mais “raiz” possível.

Tião Carreiro e Pardinho – Pagode

Morena bonita dos dente aberto
Vai no pagode o barulho é certo
Não me namore tão descoberto
Que eu sou casado mais não sou certo

Modelos de agora é muito esquisito
Essas mocinhas mostrando os cambitos
Com as canelas lisa que nem palmito
As moças de hoje eu não facilito

Eu com a minha muié fizemos combinação
Eu vou no pagode ela não vai não
No sábado passado eu fui ela ficou,
No sábado que vem ela fica e eu vou

Eu com a minha muié já vi que noís não combina
Ela vai pra baixo e eu vou pra cima
De um certo tempo pra cá já está ficando um relaxo
Ela vai pra cima e eu vou pra baixo.

Compositor: Tião Carreiro.

Origem 2ª parte

A verdade é que desde de o período colonial brasileiro a catira já era vista como uma manifestação cultural.

Uma curiosidade bem interessante de formas da manifestação da catira está entre os tropeiros, que durante as paradas da comitiva aproveitam para tocar uma moda de viola, as vezes com um ou mais catireiros acompanhando a viola.

De acordo com o senhor Carlos Anésio da Silva, conhecido também como “Carlinhos Catireiro”, em entrevista concedida em setembro/2011, pode-se entender que:

”… Mas a catira, ela foi começada (SIC), sobre os peões de boiadeiro, o peão de boiadeiro, ele viajava muito no lombo do burro, o dia todo. Então na noite eles, quando tomavam um banho pra vim pro jantar, reunia (SIC) depois do jantar a peonada, normalmente tinha um que tocava uma viola e cantava moda de viola…” – (Carlos Anésio da Silva em Entrevista-09/2011).

O senhor Carlos Anésio da Silva foi membro de um dos grupos de catira mais antigos de Barretos, chamado “Catira Vinte e cinco de Agosto”, em homenagem ao dia do aniversário da Cidade.

Realização da dança

A Catira ou Cateretê, é a grosso modo dançada por um grupo de pessoas organizadas em fileiras de dez à doze catireiros, assim ficam um de frete ao outro realizando uma sequência de passos utilizando apenas a palma da mão e os pés calçados de botas acompanhados de uma cantoria realizada por mais dois membros do grupo. Ao decorrer da dança também são realizadas as voltas conhecidas tradicionalmente em algumas regiões como ´´meia volta“ sendo também um pedido para continuar a dança.

Catireiros da região sudeste do país